Cooeducarte

Cooperativa dos Trabalhadores em Educação, Cultura e Arte

Coleção Chiquinha’s

Notícias relacionadas:

Cooeducarte fecha 2012 com “Feira da Vila”

Educadoras do nordeste recebem formação na Vila Esperança

 Assembléia da Cooeducarte fecha 2008

Cooeducarte em curso sobre cooperativismo

 

“PRENÚNCIO DE UMA NOVA IDADE ” janeiro de 2007

 

Canção Óbvia

Escolhi a sombra desta árvore para

Repousar do muito que farei,

Enquanto esperarei por ti.

Quem espera na pura espera

Vive um tempo de espera vã.

Por isso, enquanto te espero

Trabalharei os campos e

Conversarei com os homens

Soarei meu corpo que o sol queimará;

Minhas mãos ficarão calejadas;

Meus pés aprenderão o mistério dos caminhos;

Meus ouvidos ouvirão mais;

Meus olhos verão o que antes não viam,

Enquanto esperarei por ti.

Não te esperarei na pura espera

Por que o meu tempo de espera é um

Tempo de ‘quefazer’.

Desconfiarei daqueles que virão dizer-me,

Em voz baixa e precavidos:

É perigoso agir

É perigoso falar

É perigoso andar

É perigoso esperar, na forma em que esperas,

Porque esses recusam a alegria de tua chegada.

Desconfiarei também daqueles que virão dizer-me,

Com palavras fáceis, que já chegaste,

Porque esses, ao anunciar-te ingenuamente,

Antes te denunciam.

Estarei preparando a tua chegada

Como o jardineiro prepara o jardim

Para a rosa que se abrirá na primavera.

Paulo Freire, 1971.

Dois mil e sete começa literalmente “novo”, um ano novo para nós, um ano de preparação para a chegada das “novas idades”. Período para inauguração dos ideais, há tempos cultivados pela ideologia e prática do Espaço Cultural vila Esperança, e que brotam agora como semente germinada, pronta para despontar, frágil e ao mesmo tempo forte, na busca e na esperança vislumbrada pelo sol, na certeza da árvore frondosa, fortalecida pelo “fazer” de pessoas comprometidas com o renascimento da humanidade, a cada amanhecer.

Já de início o solo é árido. A idéia da Cooperativa ressurge como vontade e também utopia, diante de um mundo, “solo”, em que o sistema de organização social possui uma lógica adversa, individualista, competitivo, não propício para o cultivo de semente como esta. Quase todas as condições desfavorecem a opção de nascer, senão um sonho que teima, desde o início em ser construído conjuntamente. Justamente a insatisfação com a aridez desse “solo” fez a semente “ousada” aceitar o desafio de NASCER.

Eis que nasce a Cooperativa dos Trabalhadores em Educação, Cultura e Arte. Quanta ousadia! Quanta vontade! Sob o espanto desta iniciativa germinada, as dificuldades pareceram gigantescas ocasionadas pelas dúvidas, incertezas, inseguranças… Sabíamos do querer, contudo faltava saber o que fazer naquele momento de aurora. Estudar sobre cooperativismo, pesquisar sobre projetos desenvolvidos e contactar pessoas envolvidas com este segmento impulsionou vencer o impacto do “brotamento”. Formamos assim um grupo de estudo constituído espontaneamente, ainda no mês de dezembro de 2006, por seis pessoas: Emicléia, Renata, Adriana, Liandra , Simone e Shirlei; com a ‘missão’ de buscar potencializar os olhares, o enxergar dos caminhos, viabilizar o “quefazer”.

Os estudos foram inquietantes, a busca se firmou como insaciável. As leituras, discussões, questionamentos, informações, descobertas… alimentavam o “broto” ; fez crescer a vontade de aprender e realizar. Encontramos neste momento, precisamente no dia cinco, com Aguinel Lourenço, integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Goiás, para uma primeira conversa sobre trabalho cooperativista, tinha sido indicado como pessoa de referência nesses assuntos. Encontramos um amigo. Um “companheiro”! A conversa foi esclarecedora, contribuiu para agilizar as questões práticas necessárias à fundação de uma cooperativa. Saímos deste encontro com muito a dizer ao restante do grupo.

No dia seguinte, sábado, nos reunimos no Quilombo da Vila para compartilharmos as notícias e aprendizagens até aquele momento. Palavras antes estranhas começavam a fazer parte dos nossos diálogos: Estatuto, Regimento, equidade, quota-parte, integralização… a compreensão foi acontecendo aos poucos, no tempo do “broto” que se levanta em direção ao sol. Nesta ocasião marcamos já um próximo encontro para o dia oito, segunda-feira, no qual pudemos contar com a presença do Aguinel. Ele fez um apanhado geral do histórico do cooperativismo, que surgiu também de insatisfações com o “solo árido” do capitalismo. Falou-nos ainda dos princípios, dos tipos e da estrutura organizacional das cooperativas. Foi um momento fértil de idéias, vislumbramos possibilidades a partir das experiências apresentadas. Desde então tentávamos identificar qual o tipo de cooperativa estava de acordo com os nossos anseios. Na perspectiva de trabalho em educação, estabelecemos contato com uma cooperativa de Santa Catarina, estruturada há vinte anos, que nos enviou o seu estatuto. A Adriana entrou também em contato com a Organização das Cooperativas do Estado de Goiás (OCG), que se mostrou solicita ao disponibilizar seus serviços de assessoria.

Paralelo a cooperativa que nascia, o trabalho continuava; mesmo no aparente clima de férias. Na terça, dia nove, se iniciou mais uma fase presencial do curso Proinfantil, foram dez dias de mais estudos intensos sobre a prática pedagógica na Educação Infantil e no dia dez de janeiro, Emicléia participou representando a Vila Esperança, de uma reunião do projeto museológico promovido pelo IPHAN, que colocava em discussão a nova concepção de museu, como espaço vivo, que amplia a identificação dos museus existentes na atualidade.

Na terça-feira, dia dezesseis, nos encontramos mais uma vez com o “companheiro” Aguinel, para discutirmos assuntos mais específicos à constituição jurídica da nossa cooperativa. Percebemos que havíamos de especificar, com clareza, no estatuto esboçado durante estes dias, os objetivos, finalidades sociais e a filosofia do trabalho educativo proposto. Na ocasião, nos indicou dois advogados com experiência em cooperativismo: Dorival e Luismar. Logo depois entramos em contato com este último que aceitou nos assessorar juridicamente.

No dia vinte e dois, uma segunda-feira, todo o grupo, que havia aceito o desafio de cultivar a “semente”, voltou ao trabalho de jardinagem nos canteiros da Vila Esperança. Foi uma semana intensa de preparativos para a “chegada” das crianças, aquelas que trazem as cores e o perfume da primavera exalados nos sorrisos, que anunciam o prazer em recomeçar, incentivo para o desenvolvimento da futura árvore COOEDUCARTE. Em meio aos preparativos, fizemos uma primeira busca como cooperativa, o grupo de estudo, foi à Goiânia, na Secretaria Estadual de Educação do Estado de Goiás, fomos apresentar o trabalho já realizado pela Vila Esperança e conhecer as possibilidades de uma parceria para a ampliação dos projetos já desenvolvidos. Fomos bem recebidos pelo Donizete, superintendente do Ensino Especial, contudo percebemos que ainda não era aquele o momento.

Dia vinte nove, acordamos com um Bom Dia “camaleonesco”: “Bom dia sol, Bom Dia Flores, Bom Dia todas as cores!” História recontada pela educadora Shirlei. Nos apresentamos:Educadores, pais e filhos, com entusiasmo do “jardineiro que prepara o jardim para a rosa que se abrirá na primavera”.

Entre flores, cada aurora vai presenciando os fazeres que cultivam a árvore frondosa almejada, a COOEDUCARTE.

Emicléia Alves Pinheiro (MICKY)

Com a cooperação de

Renata Tavares de Brito

i

Feliz Olhar Novo!

Abro as janelas devagar

Saio à varanda

outro horizonte no céu

outra luz em mim

(…)

Presenciamos nas auroras do ano que passou os “fazeres”que deram forma a COOEDUCARTE e agora, no inicio de 2008 é possível sentir a alma deste conjunto de pessoas

refletida em mudanças ocasionadas pelos novos olhares e significados que foram sendo sentidos e construídos nos momentos de aprendizagem sobre esta nova forma de fazer educação.

Enxergamos no ano passado o “prenuncio de uma nova idade”e hoje já se pode apreciar o desenvolvimento de uma idéia surgida como sonho, como vontade utópica coletiva iniciada na propria fundação da Vila Esperança.

A Cooperativa de Trabalhadores em Educação, Cultura e Arte surge como ousadia que cotidianamente se fortalece; ao mesmo tempo que questiona certezas, reafirma valores e possibilita usufruir de forma autônoma dos tempos e espaços de realizar o trabalho. A afirmação maior é de que este constitui um tempo de aprendizagem, percebida de forma direta na conjugação e ação do conviver, compreendemos melhor as relaçoes, os comportamentos, as atitudes e cada vez mais tomamos consciencia da necessidade de busca conjunta, compromisso e responsabilidade de cada um e por isso de todos.

Foram realizados estudos fundamentais ao nascimento da cooperativa, fortalecidos pelas reflexões, discussões e alargamento de idéias que as assembléias proporcionaram, em cada encontro a busca de uma participação legitima conduziu a mudança real de olhares e posturas.

é assim, com um principio de caminho que reiniciamos, que vislumbramos “novo horizonte no céu”, possibilidades inimaginadas surgem diante de situações desafiantes, tais como a gestão dos recursos financeiros de forma condizente com princípios “humanos” defendidos e também os conflitos de idéias que enriquecem, contudo provocam a natureza humana de ser.

Percebemos neste reinicio um crescimento da escolha e credo de um fazer diferente, a “responsabilidade aumentou” e as ações já se mostram mais amadurecidas, os olhos de cada um se focalizam e iluminam um caminho de fazeres promissores.

Powered by: Wordpress