
A Escola Pluricultural Odé Kayodê integra o Programa Escolas2030, uma iniciativa global de pesquisa-ação com duração de dez anos (2020 a 2030), que busca desenvolver e disseminar boas práticas voltadas para a promoção de uma educação de qualidade para crianças e jovens. O programa tem como propósito criar novos parâmetros de avaliação da aprendizagem baseados na prática da educação integral e transformadora, com vistas ao alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4), que trata da garantia de uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade para todos. No Brasil, as atividades planejadas dentro do escopo do programa, bem como o cronograma de sua execução, são definidos pela Ashoka Brasil em parceria com a equipe coordenadora da pesquisa-ação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), com apoio da Imaginable Futures. Nesse cenário, a Odé Kayodê se afirma como uma escola inovadora e resistente, articulando práticas pedagógicas que dialogam com a ancestralidade afro-indígena e com a valorização das culturas.

Como parte desse processo, os educadores Adriana, Fernando e Emicleia participaram de uma experiência de intercâmbio pedagógico e cultural em Salvador, visitando, em agosto de 2025, a Escola comunitária Luiza Mahim e a Escola afro brasileira Maria Felipa, ambas, que assim com a Escola Pluricultural Odé Kayodê, são reconhecidas como referências em práticas educativas antirracistas e decoloniais. Nessas instituições, os educadores da Odé Kayodê puderam observar metodologias comprometidas com a luta contra o racismo estrutural, a valorização das identidades negras e a construção de currículos que se articulam com os territórios e as culturas locais. Essa vivência reforçou o compromisso de pensar a escola como espaço de resistência e transformação social.

Além da imersão nas escolas, a visita proporcionou uma série de experiências culturais que ampliaram o repertório pedagógico dos educadores. No Pelourinho, puderam acompanhar a força simbólica e estética de blocos afro como Filhas de Gandhy, Olodum, Dida e o grupo feminino AYó, reafirmando a importância da arte e da música como instrumentos de identidade e resistência. Também estiveram presentes nos Museu Afro, visitando a exposição “Encruzilhadas”, onde refletiram sobre as narrativas históricas afro-brasileiras e sua centralidade na formação do país. Outras vivências incluíram visitas ao Mercado Modelo e à Feira de São Joaquim, espaços de memória, trocas e permanências culturais, além da visita à Ilha de Itaparica, que evidenciou tradições locais e sua relação com os territórios.

Todas essas experiências reafirmaram a importância da valorização das culturas afro-brasileiras como eixo estruturante da educação. O intercâmbio vivido pelos educadores da Odé Kayodê fortaleceu o compromisso da escola com a construção de uma prática pedagógica enraizada na diversidade cultural, na justiça social e no antirracismo. Participar do Escolas2030 tem contribuído para que a Odé Kayodê se consolide como um espaço de inovação e resistência, articulando saberes tradicionais e contemporâneos em prol de uma educação integral e transformadora, capaz de inspirar novas gerações e contribuir para a construção de uma sociedade plural e democrática.





